Chronica de El Rey D. Affonso II
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Beschrijving
Bol
A Chronica de El-Rey D. Affonso II integra o ciclo cronístico régio português e reconstitui o breve, mas decisivo, reinado do terceiro monarca de Portugal, marcado pela consolidação administrativa, pelos conflitos com o clero e pela afirmação da autoridade régia. Em prosa sóbria, ordenada e documental, Rui de Pina combina narração política, memória dinástica e intenção moralizante, situando D. Afonso II no processo de construção do Estado medieval português. O livro pertence à tradição historiográfica tardo-medieval, em que a crónica serve simultaneamente como arquivo, exemplo e legitimação do poder. Rui de Pina, cronista-mor do reino e guarda-mor da Torre do Tombo, escreveu a partir de uma posição privilegiada junto à corte e aos documentos oficiais. A sua formação burocrática e o contacto com arquivos régios explicam o cuidado genealógico, jurídico e institucional da obra. Ao narrar Afonso II, Pina observa também as preocupações do seu próprio tempo: a centralização monárquica, a autoridade da escrita e a continuidade histórica da dinastia. Recomenda-se esta crónica a leitores interessados na formação de Portugal, na historiografia medieval e na relação entre literatura e poder. Embora exija atenção ao seu vocabulário antigo e à perspectiva cortesã, a obra oferece uma leitura indispensável para compreender como a memória régia foi construída e transmitida.
A Chronica de El-Rey D. Affonso II integra o ciclo cronístico régio português e reconstitui o breve, mas decisivo, reinado do terceiro monarca de Portugal, marcado pela consolidação administrativa, pelos conflitos com o clero e pela afirmação da autoridade régia. Em prosa sóbria, ordenada e documental, Rui de Pina combina narração política, memória dinástica e intenção moralizante, situando D. Afonso II no processo de construção do Estado medieval português. O livro pertence à tradição historiográfica tardo-medieval, em que a crónica serve simultaneamente como arquivo, exemplo e legitimação do poder. Rui de Pina, cronista-mor do reino e guarda-mor da Torre do Tombo, escreveu a partir de uma posição privilegiada junto à corte e aos documentos oficiais. A sua formação burocrática e o contacto com arquivos régios explicam o cuidado genealógico, jurídico e institucional da obra. Ao narrar Afonso II, Pina observa também as preocupações do seu próprio tempo: a centralização monárquica, a autoridade da escrita e a continuidade histórica da dinastia. Recomenda-se esta crónica a leitores interessados na formação de Portugal, na historiografia medieval e na relação entre literatura e poder. Embora exija atenção ao seu vocabulário antigo e à perspectiva cortesã, a obra oferece uma leitura indispensável para compreender como a memória régia foi construída e transmitida.