Este livro propõe uma reflexão ética, política e filosófica sobre uma das questões mais incômodas e evitadas de nosso tempo: o direito de morrer. Em sociedades que prolongam a vida a qualquer custo, mesmo quando a existência se torna sofrimento crônico, solidão institucional e ausência de escolha, é legítimo perguntar: o que ainda significa viver? Existe dignidade sem autonomia? A quem serve a proibição da eutanásia e do suicídio assistido, quando os que mais sofrem permanecem silenciados? A obra discute as condições concretas de fim de vida no Brasil - marcadas por abandono público, sobrecarga familiar e desigualdade no acesso ao cuidado -, e contrasta esse cenário com experiências internacionais em que a autonomia no fim da vida foi reconhecida como valor jurídico e ético. A partir de uma perspectiva crítica, os ensaios reunidos interrogam a própria ideia de humanidade: quem tem o direito de escolher, quem é obrigado a resistir, quem decide sobre o tempo e os modos de morrer? Longe de oferecer soluções simplificadas, este livro defende que a finitude precisa ser pensada como parte da vida, e que o cuidado, a escuta e a possibilidade de decisão não podem ser privilégio de poucos. Refletir sobre o direito de morrer, neste contexto, é também uma forma de repensar a vida em comum.
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