A Primeira Vez aos Cinquenta

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Bol "Tenho cinquenta e um anos e nunca senti nada. Isso tem cura?"A carta tinha uma linha só. Foi assim que Ofélia se apresentou - e foi preciso muita coragem para escrever aquilo, porque em cinquenta e um anos ela nunca tinha dito a ninguém.Vinte e seis anos de casamento. Três filhos. Um marido bom, leal, que nunca a maltratou. E uma conta que ela fez sozinha, uma noite, no escuro, olhando para o teto: Mil vezes. E nenhuma para mim.Ela achava que era fria. Era outra coisa.Ofélia acreditava que tinha nascido assim - que existem mulheres quentes e mulheres frias, e que ela era das frias. Até alguém lhe fazer uma pergunta que ninguém, em meio século de vida, tinha feito: quem foi que lhe ensinou?Ninguém. Nunca ninguém lhe ensinou nada. A educação que ela recebeu sobre o próprio corpo consistiu inteiramente em avisos - não faça, não deixe, cuidado, isso é feio. Nem uma palavra sobre como funciona. Depois foi para uma cama fazer uma coisa que ninguém lhe explicou, e ao não conseguir concluiu que o defeito era de fábrica.O prazer não é um dom que umas têm e outras não. É uma aprendizagem - e a ninguém foi ensinada.E não é tardeO seu corpo não recebeu comunicado nenhum sobre a sua idade. Aquilo que nunca aconteceu não aconteceu por falta de instrução, de tempo e de permissão - três coisas que não têm prazo de validade. Ofélia levou nove meses. Nove meses contra trinta e oito anos de silêncio.Neste livro você vai encontrar- Por que dez minutos apressados são uma condição em que nenhum corpo humano funcionaria- O que interrompe de dentro - e por que se pode passar uma hora sozinha sem ter estado ali um minuto- Por que a coisa foge quanto mais se persegue, e o que fazer com isso- Como contar ao marido sem destruir vinte anos - e o que não se deve contar- Por que aprender sozinha primeiro não é egoísmo: é método- 53 Permissões - não regras, autorizações que ninguém lhe deuPara todas as mulheres que carregam isto em silêncio absoluto, cada uma convencida de ser a única. Você não é.Não é você. Nunca foi você. Há uma coisa que devia ter-lhe sido ensinada aos quinze anos e que continua exatamente onde sempre esteve - à sua espera, sem saber que idade você tem.Da autora de A Mulher que Nunca Flertava, O Perfume da Quinta-Feira, Quarto 314 e Os Desconhecidos.

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"Tenho cinquenta e um anos e nunca senti nada. Isso tem cura?"A carta tinha uma linha só. Foi assim que Ofélia se apresentou - e foi preciso muita coragem para escrever aquilo, porque em cinquenta e um anos ela nunca tinha dito a ninguém.Vinte e seis anos de casamento. Três filhos. Um marido bom, leal, que nunca a maltratou. E uma conta que ela fez sozinha, uma noite, no escuro, olhando para o teto: Mil vezes. E nenhuma para mim.Ela achava que era fria. Era outra coisa.Ofélia acreditava que tinha nascido assim - que existem mulheres quentes e mulheres frias, e que ela era das frias. Até alguém lhe fazer uma pergunta que ninguém, em meio século de vida, tinha feito: quem foi que lhe ensinou?Ninguém. Nunca ninguém lhe ensinou nada. A educação que ela recebeu sobre o próprio corpo consistiu inteiramente em avisos - não faça, não deixe, cuidado, isso é feio. Nem uma palavra sobre como funciona. Depois foi para uma cama fazer uma coisa que ninguém lhe explicou, e ao não conseguir concluiu que o defeito era de fábrica.O prazer não é um dom que umas têm e outras não. É uma aprendizagem - e a ninguém foi ensinada.E não é tardeO seu corpo não recebeu comunicado nenhum sobre a sua idade. Aquilo que nunca aconteceu não aconteceu por falta de instrução, de tempo e de permissão - três coisas que não têm prazo de validade. Ofélia levou nove meses. Nove meses contra trinta e oito anos de silêncio.Neste livro você vai encontrar- Por que dez minutos apressados são uma condição em que nenhum corpo humano funcionaria- O que interrompe de dentro - e por que se pode passar uma hora sozinha sem ter estado ali um minuto- Por que a coisa foge quanto mais se persegue, e o que fazer com isso- Como contar ao marido sem destruir vinte anos - e o que não se deve contar- Por que aprender sozinha primeiro não é egoísmo: é método- 53 Permissões - não regras, autorizações que ninguém lhe deuPara todas as mulheres que carregam isto em silêncio absoluto, cada uma convencida de ser a única. Você não é.Não é você. Nunca foi você. Há uma coisa que devia ter-lhe sido ensinada aos quinze anos e que continua exatamente onde sempre esteve - à sua espera, sem saber que idade você tem.Da autora de A Mulher que Nunca Flertava, O Perfume da Quinta-Feira, Quarto 314 e Os Desconhecidos.


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  • 9798191548876
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