Utilizando uma abordagem socioantropológica, este estudo analisa a reintegração dos refugiados burundianos na comuna de Kabezi após a crise de 2015, centrando-se no papel da ação administrativa local. Através de uma pesquisa etnográfica baseada na observação e em entrevistas, o artigo evidencia o desfasamento entre os dispositivos institucionais de repatriamento e as realidades sociais vividas pelos retornados.Os resultados revelam que a reintegração permanece em grande parte incompleta, marcada pela insegurança económica, pela insegurança alimentar, por disputas de terras e por laços sociais enfraquecidos. O apoio institucional parece ser limitado e temporário, deixando as famílias, nomeadamente as mulheres, a desenvolver estratégias informais de sobrevivência. Por último, o estudo sublinha que a reintegração não é apenas uma questão de regresso físico, mas implica uma reconstrução social sustentável baseada no acesso aos direitos, aos meios de subsistência e ao reconhecimento social.
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