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O autor procura surpreender temas e problemas atuais, pondo em causa, sem rodeios, num estilo despojado de ideias feitas, pressupostos e dogmas ideológicos, políticos, ético-jurídicos, religiosos, literários, em que assentam e se engendram os mais variados discursos acerca da realidade social. Sobre um fundo histórico saturado de manifestações culturais aparentemente dialéticas, ou mesmo conflituosas, resgatar da obscuridade dos equívocos e das contradições alguma inteligibilidade para o nosso tempo, pode ser mais uma ilusão, mas é uma tentativa de dissipação de erros que estruturam pensamentos e discursos em círculos viciosos. Este é um livro de denúncia de imposturas, contra a impostura. Ao contrário desta, não quer fazer-se passar por verdade nenhuma. O próprio título é uma proclamação de que "as coisas não têm de ser como são". Dá, assim, um claro sinal de esperança de que mudem as coisas que não interessam, e de responsabilidade pela preservação e promoção das coisas que valem a pena. Por um lado, aponta para a existência de possibilidades e, por outro, para o dever-ser como princípio operador na escolha, entendida como ato humano. O indivíduo humano, fonte do significado e instância racional insubstituível, reclama para si um estatuto de respeito compatível com o topo na hierarquia dos valores. A quantidade de questões relevantes e pertinentes, de carácter filosófico e científico, que emergem da análise dos problemas colocados é um manancial de perspetivas. Obra inovadora na legitimação do estatuto do indivíduo humano na sua relação com os outros humanos, com as culturas, com o mundo vivo e físico em geral.
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