Desde há muito que a filosofia ergue a bandeira do universal, pretendendo abarcar a totalidade do ser. No entanto, a partir do momento em que aborda a figura da mulher, este belo edifício vacila. O universal cede então lugar, quase sistematicamente, a explicações redutoras: uma biologia simplista ou uma espiritualidade tingida de condescendência. Este fracasso não é acidental. Revela algo de essencial: quando os filósofos pensam, imaginam-se muitas vezes a encarnar uma consciência neutra e distanciada. Na realidade, a sua visão está historicamente ancorada numa masculinidade tão evidente que se torna invisível, nunca questionada."Le Grand Procès de l'Oubli" postula que a crise de sentido da modernidade não é uma inevitabilidade técnica, mas a consequência de uma amnésia metafísica. Ao excluir sistematicamente a perspetiva feminina da construção do conhecimento, a filosofia ocidental produziu uma razão "acéfala" e "desencarnada", incapaz de preservar o tecido da vida. Este livro propõe-se remediar esta "nulidade sedutora" através do advento de uma Filosofia da Integridade.
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