A teoria construtivista postula que a experiência é um elemento essencial da nossa compreensão do ambiente e da construção dos fundamentos cognitivos pré-linguísticos. A criança surda apresenta um desenvolvimento cognitivo específico. No entanto, a sua intervenção logopédica, frequentemente centrada no desenvolvimento linguístico, coloca-a numa dinâmica de reprodução, e menos numa construção autónoma do seu pensamento. O objetivo deste estudo é observar crianças surdas em situações de brincadeira, a fim de descrever o seu funcionamento cognitivo. Propomos um protocolo de 4 oficinas lúdicas a uma população de crianças surdas e crianças sem deficiência auditiva com idades entre os 7 e os 9 anos. Partimos da hipótese de que as crianças surdas com idades entre os 7 e os 9 anos e que estão em fase de aquisição da linguagem oral apresentam um desfasamento nos comportamentos com os objetos (simbólicos ou não) e na linguagem associada aos seus comportamentos. Os resultados mostram que os comportamentos das crianças surdas são diferentes dos das crianças sem deficiência auditiva. É, portanto, indispensável interessar-se pela relação com o real e pela linguagem da criança surda para uma intervenção clínica de logopedia centrada nos interesses cognitivos dos pacientes.
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