Quando publiquei o meu primeiro conto, em 1998, no Almanaque de Contos Cearenses, eu também já tinha pronto o livro Mão de Martelo e Outros Contos, que submeti a uma apreciação do escritor Eduardo Campos. Ele gostou, escreveu a orelha e o encaminhou ao Dr. Martins Filho, que logo autorizou a sua publicação pelo Programa Editorial da Universidade Federal do Ceará. Em 2008, ganhei o Prêmio da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, na Categoria Romance, com o livro Exuberante Pós-Nada - Itinerário Ilógico da Razão. De lá até aqui, nunca mais publiquei um livro. Apenas escrevi, escrevi e escrevi. Na esperança de, em algum momento, poder expor todos esses meus textos a uma apreciação espontânea do distinto público. Sobre a forma como desenvolvo meus textos, devo esclarecer que sempre ignorei o discurso pronto daqueles que ditam normas na construção literária. Faço tão-somente o que me determina a intuição, dado que considero o conto muito mais que uma simples história bem contada, que poderia ser longa ou curta, de começo, meio e fim e seguindo determinados padrões, de modo que não fosse confundido com uma simples crônica - que na escala literária seria uma forma de expressão menor. Os grandes Mestres da literatura, aliás, nos ensinam que o bom conto pode brotar de coisas aparentemente insignificantes, dependendo apenas da sensibilidade daqueles que as observam. Machado de Assis, por exemplo, entendeu que poderia desenvolver boa história ao visualizar velho par de botas atirado no lixo da casa vizinha à sua, ou quando viu uma senhora a coser o belo vestido de uma noiva e perguntou a si mesmo a quem caberia o mérito por aquela refinada confecção: se à linha ou à impetuosa agulha, momento em que resolve empreender um diálogo entre ambas. O mesmo Machado que tomaria a si a tarefa de reconstruir o conto O Experimento do Doutor Pena e do Professor Abreu, de Edgar Allan Poe, transmutando-o em O Alienista, sem que estivesse incorrendo em plágio, mas apenas incorporando a ideia e até melhorando-a, conforme eu mesmo diria mais tarde ao escrever O Experimento do Doutor Pena e do Professor Machado, um conto em que Carolina (esposa de Machado de Assis) sugere que ele desenvolva um texto no molde daquele produzido por Poe. Como achei válido o efeito que obtive nesse meu relato, escrevi mais alguns envolvendo outros escritores e os coloquei na Parte III desta Coletânea, assim como separei na Parte II os episódios vivenciados por mim na fase que denominei como Primeira Juventude. Sobre os demais contos aqui inseridos e que os abriguei na Parte I, dividi-os em Cruéis, Dramáticos e Nostálgicos, todos com foco no caráter psicológico de seus personagns. Alguns receberam Prêmios Literários, porém todos ainda permanecem inéditos, e cuido como desnecessário destacar qualquer um desses. Gosto de todos e espero que o leitor também.
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