Houve um tempo em que uma carta chegava antes de ser lida. Bastava reconhecer a letra. Depois veio a máquina de escrever, e a caligrafia - aquele vestígio físico de quem escrevia - desapareceu em favor de caracteres idênticos para todos. Mais de um século depois, uma segunda máquina entrou na escrita. Desta vez não mecanizou apenas o gesto das mãos: começou a participar da própria formulação do pensamento. Da Caligrafia ao Prompt percorre essa linha histórica - da pena à bola de escrever de Nietzsche, do teclado ao prompt de uma inteligência artificial - para perguntar o que realmente muda quando uma ferramenta passa a sugerir, corrigir e responder. Se a IA participa da frase, quem ainda é o autor ? Gera Teixeira cruza engenharia, psicanálise e uma sensibilidade franciscana para argumentar que a autoria nunca foi apenas a capacidade de construir frases - e que talvez precisemos, mais uma vez, encontrar uma nova morada para aquilo que nos torna autores do que dizemos. Um ensaio para quem escreve, ensina, lidera ou simplesmente pensa em voz alta diante de uma tela - e quer saber onde termina a ferramenta e onde começa, ainda, o humano.
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