Numa época de crescente participação das mulheres no mercado de trabalho, tem-se especulado se tal facto resultou num aumento da autonomia das mulheres trabalhadoras no âmbito do casamento. Este artigo analisa as dinâmicas de poder conjugal no Maláui, centrando-se em casais em que a esposa trabalha e aufere rendimentos. O objetivo é determinar se as esposas com vantagem em termos de recursos conseguem exercer mais poder nas relações conjugais em comparação com os seus maridos. Este estudo partiu da hipótese de que, quando as esposas trazem dinheiro para o lar, as relações intra-familiares entre os cônjuges deveriam mudar para refletir essa alteração. Um inquérito realizado no Maláui, dirigido a mulheres casadas, revelou que a questão das relações de poder intra-familiares é controversa e é influenciada pelos valores de género das pessoas que compõem o agregado familiar. Este estudo demonstrou que, embora a entrada de dinheiro altere as relações de género no seio do agregado familiar, não é fácil demonstrar que essas mudanças se traduzam na autonomia das mulheres. O estudo concluiu argumentando que, para que ocorra uma verdadeira transformação na esfera pública, é necessária uma mudança no equilíbrio das relações de poder na esfera doméstica.
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