Os músicos alcançam o absoluto com suas interpretações, mas frequentemente consideram inefável a beleza que produzem. Os filósofos refletem sobre o belo musical com elegante abstração, mas raramente captam a experiência concreta e avassaladora de uma execução.Entre o silêncio do intérprete e a abstração do teórico, Roberto Barreca, filósofo, psicoterapeuta e músico, propõe um terceiro caminho: refundar a estética musical a partir da experiência viva do som. Com ferramentas da fenomenologia e da psicanálise (observação do fenômeno e escuta do vivido), o autor descreve com palavras o mistério da música, cartografando os mundos poéticos que cada obra-prima encarna de maneira única.Diante da tirania das execuções filológicas e do preconceito evolucionista da musicologia, Barreca reivindica, junto a Glenn Gould e Karajan, a primazia de um som objetivamente belo, caloroso e profundo. Convida-nos a reconhecer que a música não progride: ela se expande em regiões estéticas de densidade gravitacional diversa, esperando para ser explorada.Um ensaio audacioso e necessário, que devolve a estética àqueles que melhor podem exercê-la: os músicos.Roberto Barreca (Milão, 1971) é filósofo, psicólogo, psicoterapeuta e músico. Publicou numerosos ensaios sobre estética musical e metafísica, assim como romances e contos. Sua pesquisa concentra-se na autonomia do fato estético.
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