Falso Tratado De Estética: Ensaio Sobre a Crise da Realidade
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Há livros que procuram definir a arte. Outros, defendê-la. Este, ao contrário, a expõe ao risco - e ao fazê-lo, expõe também o homem. Em Falso Tratado de Estética, Benjamin Fondane não oferece um sistema, nem uma doutrina, nem uma teoria tranquilizadora do belo. O que se encontra aqui é antes um combate: contra a redução da poesia a "conhecimento", contra sua domesticação pela razão, contra a tentação de transformá-la em objeto explicável, transmissível, inofensivo. Ao longo de fragmentos deliberadamente "desconexos", o autor desmonta as certezas da estética tradicional e recoloca, com urgência, a questão que ela evitou: por que a arte? Entre o mito e o intelecto, entre a experiência vivida e sua abstração, a poesia surge como uma força ambígua, irreconciliável com qualquer sistema. Não é ornamento, nem simples expressão, nem técnica dominável: é aquilo que resiste - à explicação, à moral, à utilidade. Por isso mesmo, encontra-se no centro de um julgamento permanente, conduzido tanto pelos filósofos quanto pelos próprios poetas. Herdeiro de uma linhagem que passa por Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé, Fondane escreve sob o signo da crise - não apenas da poesia, mas da própria ideia de realidade. Seu "tratado" é falso porque recusa o que se espera de um tratado: ordem, método, conclusão. Em seu lugar, oferece uma escrita tensa, repetitiva, por vezes contraditória, que busca menos convencer do que atingir. O que está em jogo, afinal, não é apenas a arte, mas a possibilidade de uma vida que não se reduza ao que pode ser explicado.
Há livros que procuram definir a arte. Outros, defendê-la. Este, ao contrário, a expõe ao risco - e ao fazê-lo, expõe também o homem. Em Falso Tratado de Estética, Benjamin Fondane não oferece um sistema, nem uma doutrina, nem uma teoria tranquilizadora do belo. O que se encontra aqui é antes um combate: contra a redução da poesia a "conhecimento", contra sua domesticação pela razão, contra a tentação de transformá-la em objeto explicável, transmissível, inofensivo. Ao longo de fragmentos deliberadamente "desconexos", o autor desmonta as certezas da estética tradicional e recoloca, com urgência, a questão que ela evitou: por que a arte? Entre o mito e o intelecto, entre a experiência vivida e sua abstração, a poesia surge como uma força ambígua, irreconciliável com qualquer sistema. Não é ornamento, nem simples expressão, nem técnica dominável: é aquilo que resiste - à explicação, à moral, à utilidade. Por isso mesmo, encontra-se no centro de um julgamento permanente, conduzido tanto pelos filósofos quanto pelos próprios poetas. Herdeiro de uma linhagem que passa por Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé, Fondane escreve sob o signo da crise - não apenas da poesia, mas da própria ideia de realidade. Seu "tratado" é falso porque recusa o que se espera de um tratado: ordem, método, conclusão. Em seu lugar, oferece uma escrita tensa, repetitiva, por vezes contraditória, que busca menos convencer do que atingir. O que está em jogo, afinal, não é apenas a arte, mas a possibilidade de uma vida que não se reduza ao que pode ser explicado.
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