As eleições presidenciais de 2017 em França são reveladoras do problema que se coloca a muitos países e, em particular, à França. Laicizados, transformados em sociedades civis e cívicas, não conseguem estabelecer uma relação explícita com a política, ou seja, com os direitos, a moral e a ética, as ideologias (para as combater) e, sobretudo, com aquilo a que chamo de 'referências-limites', nomeadamente a doação e a autoridade. O perigo está aí: uma política de substituição, como já aconteceu, pode conseguir substituir, pelo menos em parte, a política comum a todas as sociedades humanas, mesmo àquelas que justificam a sua legitimação e a sua legitimidade através do recurso a um Todo-Outro exterior a si mesmas. A política de substituição assenta na ideia de raça e dela retira as consequências mais destrutivas para a vida em comum. É contra o ressurgimento deste grande perigo que apelo à luta.
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