Imagine uma balança antiga, de dois pratos, forjada em bronze. Em um prato, colocamos o cérebro humano - o órgão da lógica, da razão, da ciência. Ele é frio, preciso, pesado com o peso dos fatos e das evidências. Ele opera sob a luz fria e clarada dúvida metódica. Em outro prato, colocamos o coração humano - o órgão daemoção, da intuição, da fé. Ele é leve, etéreo, pulsante com o calor da esperança e dodesejo. Ele opera sob a luz dourada e difusa da experiência subjetiva.Nossa civilização, e cada um de nós individualmente, vive em um estado de tensãoconstante, tentando equilibrar esses dois pratos. Pender demais para o lado docérebro, e a vida se torna um deserto de fatos sem sentido, uma equação fria sempropósito. Pender demais para o lado do coração, e corremos o risco de nos afogar emilusões, de construir castelos no ar e de nos tornarmos presas de charlatães.Este livro é uma exploração dessa balança. É uma tentativa de pesar, com ahonestidade de um perito e a sensibilidade de um humanista, os conceitos de"milagre improvável"e"fé irrefutável". Não se trata de declarar um vencedor, dedizer que um prato é mais importante que o outro. Trata-se de entender a natureza decada um, de apreciar seu peso e sua medida, e de aprender a viver com a oscilaçãoconstante e necessária entre eles.
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