Esta coletânea reúne sete contos que mesclam grandes linhas de pensamento, tratando da existência e impermanência do ser humano. Seus personagens não são heróis nem vilões, são pessoas comuns carregando suas questões existenciais: a angústia, o medo da morte, a ansiedade, o ciúme, o apego às coisas terrenas. Vivendo em ambientes que mesclam o real com o imaginário, eles traçam jornadas em busca de si mesmos e do alcance da paz interior.Por trás dessas narrativas, entrelaçam-se algumas linhas de pensamento. A primeira vem do estoicismo, com sua distinção fundamental entre o que depende de nós e o que não depende. O conceito ecoa por todo o livro como um mantra discreto. A segunda linha amplia esse olhar ao beber do budismo, sobretudo da noção de impermanência e do ciclo de morte e renascimento. Se o estoicismo ensina a discernir, o budismo ensina a soltar.Mas discernir e soltar não bastam se não houver coragem para olhar para dentro. É aqui que entra a terceira linha, que bebe do existencialismo - um existencialismo sem desespero, no entanto. Há um vazio que nos habita, sim, mas ele não é ausência de prazer: é a presença de nós mesmos. Essas três vertentes, a filosofia estoica, a sabedoria budista, a inquietação existencial, não aparecem nestes contos como teses acadêmicas. Aparecem como sempre apareceram, muito antes das universidades: destiladas em imagens, condensadas em narrativas, transmitidas de boca em boca.É a quarta linha que as costura: a sabedoria popular e a tradição oral, onde o conhecimento não se prova com argumentos, mas com metáforas que reconhecemos antes mesmo de entendê-las. Todas essas linhas convergem para um fio invisível que percorre o livro de ponta a ponta: a ideia de que a transformação verdadeira não acontece no êxtase, mas na quietude. Estes contos, portanto, não oferecem respostas. Oferecem companhia. Não oferecem destino, mas o caminho. São escritos para quem já se sentou sozinho num terraço, para quem já olhou o horizonte sem saber se estava feliz ou triste, para quem já descobriu que o extraordinário não está nas grandes vitórias, mas na pequena escolha, repetida a cada instante, de não se deixar escravizar por aquilo que não se pode controlar.O termo japonês "Nagori" significa vestígio, resquício, aquilo que permanece após a partida, a sensação melancólica do que se foi, o rastro emocional. No teatro Nô e na cerimônia do chá, Nagori remete à beleza do que está prestes a desaparecer. Com uma linguagem simples e repleta de metáforas, os contos que compõe este livro são destinados a compartilhar com os leitores um pouco do sentimento capaz de acalmar a inquietude das almas, ao reconhecer que as marcas começam a se apagar no mesmo momento em que são deixadas.
AmazonPagina's: 124, Paperback, Ikigai Books
Prijshistorie
* Prijshistorie bevat geen data van Amazon, Amazon Marketplace.
Prijzen voor het laatst bijgewerkt op: