Como se sabe, existem várias definições de amor. Na sua obra intitulada O Fenómeno Erótico, Marion apresenta-nos o seu próprio conceito de amor numa dimensão filosófica: aqui, a verdadeira questão é a da constituição do ego, a partir do ser diferente de mim, do seu olhar, do seu desejo ligado ao seu corpo (ou à sua carne) e da sua relação com o mundo (o outro amado). O problema da alteridade, (re)ligado ao do ego e da sua tomada de consciência, surge aqui perpetuamente. O amor, em todas as suas circunstâncias, é mais do que um desejo, do que uma união, é uma constituição do próprio eu, do seu fenómeno do amor nele - o amor é uma dádiva -, sublinha Marion. Rompe-se com as filosofias modernas no sentido clássico, como as cartesianas, husserlianas e heideggerianas, no sentido em que estas não fornecem uma verdadeira definição do amor, nem do ego. Um verdadeiro momento de descoberta é o facto de que falar do amor se fará através da fenomenologia do amor. O que se opõe às famosas filosofias (Descartes, Husserl, Heidegger) a que recorremos.
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