Este ensaio propõe uma releitura do pensamento de Hannah Arendt ao considerar a estética não como uma filosofia da arte, mas como uma teoria do aparecer. Defende que a política assenta em condições de visibilidade, exposição, julgamento e pluralidade. O indivíduo só existe politicamente ao aparecer num espaço público partilhado, onde se constroem a identidade, a ação e o reconhecimento. A ação possui uma dimensão teatral: agir é mostrar-se aos outros num mundo pluralista onde o sentido dos atos depende dos relatos e dos julgamentos alheios. O reconhecimento está assim ligado às condições de visibilidade, enquanto a sua distribuição desigual produz formas de exclusão. Inspirado por Immanuel Kant, o cidadão surge como um espetador capaz de exercer um julgamento reflexivo orientado para o senso comum. O ensaio demonstra, por fim, que a política pode ser compreendida como uma atividade de julgamento perante situações singulares, ao mesmo tempo que sublinha os limites do modelo estético face à violência e à decisão. O pensamento arendtiano resume-se, então, a uma dinâmica: aparecer, julgar e partilhar.
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