Este estudo centra-se nas transformações espaciais que estão a ocorrer em Mohamed Mahmoud, rua que parte da Praça Tahrir, o local oficial da Revolução Egípcia de 25 de janeiro. Desde a revolução, esta rua tem sido palco de grande violência durante vários confrontos sangrentos entre manifestantes e forças de segurança. Também se tornou famosa pelos murais de graffiti dissidentes que revestem as paredes da sua entrada. Através da realização de um estudo etnográfico deste quarteirão da Rua Mohamed Mahmoud, o meu estudo centra-se nos residentes e nos proprietários de lojas da zona, que enquadro como o 'público não intencional' do graffiti, para compreender como estas transformações espaciais e políticas afetaram este espaço, a experiência dos residentes, as relações sociais e o sentimento de pertença. Defendo que estas novas transformações espaciais trazidas pela revolução introduziram um espaço público alternativo, dando origem a uma série peculiar de incidentes e interações sociais distintas, nas quais as pessoas utilizam a forma de expressão para subverter muitas ambivalências no decorrer de uma transição política conturbada.
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