Outubro, Yamagata. Haruka, contabilista despedida em segredo, volta à aldeia onde nasceu, depois da morte do pai, e encontra a casa da família, a cervejaria de saquê Sugiyama, de pé por um fio. A irmã, Fuyumi, segura-a sozinha há dezanove anos. A cerejeira do pátio foi cortada, o velho mestre Genzō recusa ensinar quem vai embora, e o banco, o distribuidor e a aldeia esperam uma resposta. Entre as noites de vapor, as contas por fechar e uma proposta que pode salvar a casa ou levá-la, as duas irmãs, tão diferentes, têm de decidir o que lhes pertence, e a quem pertencem elas. Haruka sabe ler números. Fuyumi sabe ouvir o arroz. Nenhuma das duas sabe ainda perdoar. Entre elas há um poço que desce, um rebento que nasce onde não devia e um homem de sapatos errados que traz um contrato e, sem querer, outra pergunta. Com humor seco e uma ternura sem pressa, este romance de duas vozes acompanha um ano inteiro, de safra a safra, e mostra que cada escolha tem o seu preço e que há coisas que não se herdam nem se vendem: aprendem-se, devagar, com o corpo. Porque o arroz pede tempo, e as pessoas também.
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