Há vinte e três anos, a passagem entre os dois mundos se fechou - e ninguém em Vereda ou em Brasa quer dizer por quê. Anaí vê as veredas do seu povo secarem uma por uma. Os buritis amarelam por baixo. O barro racha. E, no fundo da última poça da vereda onde ela nasceu, existe uma luz laranja que se mexe devagar, como bicho grande virando de lado no sono. Caiã caminha em forma de fogo pela pedra quente de Brasa. Ele viu a mãe morrer esquecendo o próprio nome dele, um pedaço por semana, e sabe exatamente de quem é a culpa: da gente de Vereda. Da família dela. Quando os dois caem no vazio entre os mundos, se odeiam antes da terceira frase. E descobrem que a água endureceu atrás deles. No Entremeio existe uma coisa sem corpo que come o querer das pessoas - que devora a vontade de atravessar uma sala para ficar do lado de quem se ama, até sobrar só educação. Ela engordou durante vinte e três anos de dois mundos recusando sentir qualquer coisa um pelo outro. E está com fome. Só existe um jeito de matá-la: abrir o Vau inteiro. Mas o Vau não aceita mentira, nem cálculo, nem meio caminho. Ele mede o que é verdadeiro E correspondido - dos dois lados ao mesmo tempo. Para salvar dois mundos, Anaí e Caiã vão ter que provar a uma água que sabe quando alguém está fingindo exatamente aquilo que nenhum dos dois consegue dizer em voz alta. Uma fantasia romântica de cerrado, buriti e boitatá, sobre a conta que os filhos pagam pela covardia dos pais - e sobre um homem que amou de verdade e mesmo assim não pôde atravessar. Inimigos que viram amantes - proximidade forçada - romance proibido entre dois mundos - slow burn - POV duplo - fantasia com alma brasileira - romance sensual, cenas fechadas - final feliz garantido Livro 1 das Crônicas do Vau.
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