Publicado originalmente em 1902, Os Antifeministas é uma das obras mais incisivas de Hedwig Dohm, escritora, ensaísta e uma das vozes mais radicais do feminismo alemão do século XIX. Neste livro, Dohm responde aos adversários do movimento das mulheres com ironia, erudição e extraordinária força polêmica. Seu alvo não são os homens em geral, mas as ideias que pretendiam fixar a mulher numa posição eterna de dependência: ora declarando-a inferior por natureza, ora exaltando-a como "sacerdotisa do lar", destinada à maternidade, à obediência e ao sacrifício. A autora organiza sua crítica em torno de quatro tipos de antifeministas: os fiéis à velha fé, presos ao costume e à tradição; os defensores do privilégio masculino; os egoístas práticos, interessados em conservar vantagens sociais; e os "cavaleiros da *mater dolorosa*", que lamentam a suposta destruição da feminilidade diante da emancipação das mulheres. Ao longo da obra, Dohm enfrenta médicos, filósofos, moralistas, escritores e até mulheres que se opunham ao feminismo de seu tempo. Entre seus interlocutores e adversários aparecem nomes como Nietzsche, Paul Julius Möbius, Laura Marholm, Ellen Key e Lou Andreas-Salomé. Com mordacidade, ela desmonta argumentos sobre a "natureza feminina", a inferioridade intelectual da mulher, o casamento, a maternidade, o trabalho, a educação e a vida pública. Longe de ser apenas um documento histórico, Os Antifeministas conserva uma surpreendente atualidade. Muitas das estratégias denunciadas por Dohm - a repetição de lugares-comuns, a falsa veneração da mulher doméstica, o medo da autonomia feminina e a transformação da igualdade em ameaça - continuam reconhecíveis no debate contemporâneo. Este livro é, nas palavras da própria autora, uma obra de defesa, não de ataque: a defesa do direito das mulheres à liberdade, à inteligência, à independência material e à plena humanidade.
AmazonPagina's: 106, Paperback, Independently published
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