Neste ensaio singular, Enrico Ferri - um dos nomes centrais da Escola Positiva do Direito Penal - conduz o leitor a um território em que ciência, literatura e arte se encontram. Partindo da criminologia nascente no fim do século XIX, Ferri mostra como a figura do criminoso foi representada nos tribunais, nos romances, nos dramas teatrais e até mesmo nas artes plásticas. De Shakespeare a Dostoievski, de Victor Hugo a Zola, passando pela tradição popular e pelo melodrama, o autor revela de que forma a imaginação artística antecipou, confirmou ou distorceu as descobertas da antropologia criminal. O crime, em suas diferentes formas - paixão, hábito, loucura ou ocasião - é analisado tanto como problema social quanto como fonte de criação estética. Ao mesmo tempo, Ferri defende que a arte tem uma missão social: ajudar a transformar a consciência coletiva, desviando a atenção das figuras criminosas, frequentemente exaltadas, para a multidão de homens e mulheres honestos, invisíveis e sofredores. Os Criminosos na Arte é, assim, uma obra que atravessa fronteiras disciplinares, oferecendo ao leitor contemporâneo não apenas um documento histórico sobre a criminologia do seu tempo, mas também uma reflexão viva sobre a relação entre crime, cultura e sociedade.
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