"Eu nasci cego. Mas vi o Egito inteiro." Em Os Dias, Taha Hussein nos leva pela mão através da sua infância. Do Kuttab da vila onde apanhava por não decorar o Alcorão, às salas de aula da Universidade de Paris onde estudou com Émile Durkheim. Dos corredores da Biblioteca do Cairo, aos encontros com Rabindranath Tagore. Hussein não foi só um escritor. Foi um terremoto. O homem que desafiou os Sheiks, que defendeu a ciência contra o dogma, e que, como Ministro da Educação, abriu as portas da universidade para o povo egípcio. Por isso o chamaram de "A Consciência do Egito". Escrito em 1926, Os Dias virou o livro mais lido do mundo árabe. Não é só uma memória. É o manifesto de um homem que provou que a ignorância é a única cegueira que não tem cura. 100 anos depois da sua primeira publicação, chega ao Brasil a primeira edição em português. Para lembrar que a luz, às vezes, nasce da escuridão.
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