Raios de extincta luz: poesias ineditas (1859-1863) reúne composições juvenis de Antero de Quental, anteriores à plena maturação filosófica e social que marcaria as Odes Modernas. O volume permite observar uma poesia em formação: de timbre romântico, melancólico e por vezes visionário, mas já atravessada por inquietações metafísicas, desejo de absoluto e tensão entre ideal e desencanto. No contexto literário português, estes poemas iluminam a passagem do lirismo sentimental oitocentista para uma consciência moderna, crítica e interrogativa. Antero de Quental, figura central da Geração de 70, foi poeta, pensador e polemista decisivo na renovação intelectual portuguesa. A experiência coimbrã, o contacto com o romantismo tardio, a filosofia alemã e as preocupações sociais emergentes ajudam a explicar a densidade espiritual destes textos iniciais. Mesmo quando ainda dependente de modelos herdados, o jovem Antero revela uma sensibilidade marcada pela crise religiosa, pela busca de sentido e por uma precoce vocação de ruptura. Recomenda-se este livro a leitores interessados na génese de uma das vozes mais complexas da poesia portuguesa. A obra vale menos como acabamento definitivo do que como documento literário e intelectual: nela se percebem os primeiros clarões de uma consciência poética destinada a transformar a literatura nacional.
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