A família é a forma mais civilizada de existência de uma sociedade, sendo simultaneamente o seu alicerce e o seu produto mais precioso. No quotidiano, percebemos a família como algo bem conhecido empiricamente e relacionado com nós próprios, sem nos preocuparmos com as múltiplas variações semânticas e práticas que ela envolve. A família é um dos temas omnipresentes na literatura. O que é curioso é observar até que ponto o conceito de família é moldável e flexível ao longo do tempo, e quais as particularidades de ordem familiar que podem ser percebidas nas obras literárias de um determinado período. Muitas obras da época do Iluminismo, por exemplo, questionam-se frequentemente sobre a função da família, sobre o papel do pai ou da mãe, sobre as relações entre cônjuges, entre pais e filhos, sobre a educação da criança, etc. A tendência para intensificar a presença de elementos familiares nas obras literárias do século XVIII pode ser confirmada através do exemplo dos dois romances que nos propusemos analisar neste estudo: 'O Camponês Arrogante', de Marivaux, e 'As Mães Rivais', de Madame de Genlis.
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