Este estudo, realizado no Centro Médico Municipal de Matam, teve como objetivo estimar a incidência de desistência e identificar os seus fatores preditivos. Foi realizado um estudo de coorte retrospetivo com 2 206 doentes a viver com VIH, com 9 ou mais anos de idade, que iniciaram a TAR entre março de 2017 e fevereiro de 2022. A desistência foi definida como o conjunto de doentes falecidos ou perdidos de vista (ausência de acompanhamento durante 90 dias ou mais após a última consulta). A maioria dos participantes (69,0%) eram mulheres com uma idade média de 34,04 ± 11,55 anos. Mais de metade, ou seja, 50,3%, tinha iniciado o tratamento no estádio clínico 3 da OMS. Cerca de 91,3% dos doentes estavam sob o regime TDF+3TC+EFV. A incidência de desistência aumentou progressivamente entre os 6 e os 36 meses de tratamento. Os fatores associados a um risco acrescido de desistência incluem uma contagem inicial de CD4 < 100 (p < 0,001; HR = 2,151), idade entre 25 e 35 anos (p = 0,010; HR = 1,531) e a presença de tuberculose (p = 0,001; HR = 1,154). Este estudo evidencia uma elevada incidência de desistência e sublinha a importância de melhorar a retenção dos doentes nos programas de TAR.
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