Há diagnósticos que se explicam; o TDAH, esse, divide. Para uns, é apenas uma diferença a celebrar; para outros, uma invenção do século a denunciar. Entre o entusiasmo e o cepticismo, este livro propõe uma terceira via, mais difícil e mais honesta: reconhecer o TDAH ao mesmo tempo como transtorno clínico real, que produz sofrimento e prejuízo, e como fenômeno culturalmente situado - recusando, por igual, o reducionismo que o quer puro cérebro, o cepticismo que o quer pura invenção e a celebração que lhe nega a dor.Ao longo de nove partes e cinquenta e um capítulos, a obra conduz o leitor da definição do transtorno à sua moldura evolutiva; do substrato neurobiológico à medida objetiva por eletroencefalografia; da fenomenologia clínica ao tratamento; das populações que costumam escapar ao olhar - as mulheres, os adultos, os profissionais de alto desempenho - ao curso inteiro da vida, do pré-escolar à idade mais avançada; e, ao fim, ao modo como a cultura contemporânea enquadra o transtorno.Três ideias a sustentam. Que o diagnóstico responsável nasce da convergência de três instrumentos - a anamnese soberana, os testes psicométricos como aliados e o EEG como biomarcador de utilidade crescente. Que a medicação se reserva a quem dela de fato necessita, por sofrimento e prejuízo reais. E que nenhum paciente se compreende fora do seu sistema familiar e da sua própria biografia.Escrito com rigor científico e a clareza de quem atende, mas sem renunciar à boa prosa, é um livro para o clínico que busca método, para o estudioso que busca síntese e para o leitor que, conhecendo o TDAH por dentro, procura enfim compreender-se.
AmazonPagina's: 477, Paperback, Independently published
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