A criminalidade violenta nas cidades contemporâneas constitui fenômeno complexo, multidimensional e territorialmente desigual, cuja interpretação exige articulação entre fatores estruturais, relacionais, espaciais e institucionais. Nesse contexto, o presente livro analisa a Teoria da Desorganização Social (TDS) e suas principais atualizações analíticas, buscando compreender os mecanismos explicativos associados à violência urbana, especialmente em contextos periféricos e latino-americanos. A pesquisa foi desenvolvida mediante abordagem qualitativa, organizada em duas etapas complementares. A primeira consistiu em análise teórico-crítica das principais correntes criminológicas relacionadas à criminalidade urbana, incluindo anomia, desorganização social, aprendizagem criminal, controle social, eficácia coletiva, criminologia crítica e abordagens territoriais da violência. A segunda etapa concentrou-se em análise sistemática integrativa da produção internacional e latino-americana relacionada à TDS, eficácia coletiva, governança híbrida, territorialidade criminal, seletividade estatal e espacialidade relacional da violência. Os resultados demonstram que os mecanismos clássicos associados à pobreza concentrada, instabilidade residencial e fragilidade comunitária permanecem relevantes para compreensão da violência urbana. Entretanto, os estudos recentes indicam que tais fatores já não apresentam capacidade explicativa suficiente quando considerados de forma isolada. Observa-se crescente deslocamento analítico em direção a categorias relacionadas à territorialidade criminal, governança híbrida, circulação espacial da violência, seletividade estatal e múltiplas formas concorrentes de controle territorial. A análise evidencia que elevados níveis de coesão comunitária podem coexistir com estruturas criminais relativamente organizadas, especialmente em contextos marcados por violência armada persistente, faccionalização criminal e fragmentação institucional. Nesse cenário, a violência urbana passa a ser interpretada como fenômeno produzido pela interação entre desigualdade estrutural, disputas territoriais, redes criminais, controles híbridos e relações espaciais assimétricas. O estudo também identifica fortalecimento recente de abordagens relacionais aplicadas à criminologia ecológica, particularmente por meio do conceito de espaço relacional da violência urbana, compreendido como categoria analítica voltada à interpretação das relações espaciais, territoriais e institucionais que organizam a distribuição desigual da violência nos espaços urbanos.
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