O Mali já passou por várias revoltas das populações tuaregues. Através da última revolta (1995-1996), estas exigiram um estatuto especial para o norte do Mali, o que implica uma descentralização. O Estado maliano, sob pressão da população civil em geral, das instituições internacionais (Banco Mundial, FMI) e das organizações de cooperação para o desenvolvimento (Cooperação Francesa, Suíça, Holandesa, etc.), não rejeitou esta reivindicação. Na perspetiva da descentralização, a sociedade civil e os tuaregues voltariam a ser senhores dos seus territórios e do seu desenvolvimento. Para as organizações internacionais, a descentralização seria a poção mágica para tirar o país do subdesenvolvimento. Para o Estado maliano, a descentralização é uma estratégia para recuperar a sua legitimidade, para pôr fim ao conflito tuaregue e para receber fundos das instituições. Assim, todos os intervenientes têm algo a ganhar com a intenção de adotar este processo. O desenvolvimento das populações nómadas tuaregues do norte do Mali depara-se, de facto, com obstáculos permanentes que a descentralização ainda não consegue resolver.
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