Na azáfama dos táxis de Douala, nas pistas de corridas de Yaoundé ou nas redes sociais da "África em miniatura", uma língua fervilha, explode e reinventa-se todos os dias: o camfranglais. Mas porque é que os falantes desta língua atípica escolhem "dizer sem dizer"? Porque é que a sexualidade se esconde atrás de uma dieta de banana-da-terra ou de uma porção de frango com amendoim? Qual é o verdadeiro significado destas metáforas remanteladas que saturam o quotidiano até ao paroxismo? Este livro não é apenas um dicionário de calão. É um mergulho sem precedentes no ADN dos Camarões contemporâneos, mais do que nunca reconhecidos como um país "continental". Ao analisar a poética da intimidade, o autor mostra como esta língua, durante muito tempo banida das escolas e desprezada como um desvio do francês "padrão", se tornou a armadura de uma juventude em busca de emancipação. Entre a herança bantu e a modernidade urbana, descubra como o hibridismo do verbo conseguiu o que a política não conseguiu: criar um cimento nacional capaz de unir mais de 300 grupos étnicos sob uma única bandeira identitária.
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