A adivinhação caracteriza-se por um dinamismo excecional, daí a sua sobrevivência no pós-modernismo, apesar de muitos outros ritos relacionados com a vida religiosa em África terem caído em desuso. A sua força reside numa ritualização abrangente que permite uma comunhão regular com a comunidade étnica e religiosa. Na sequência de uma grande revolução cultural induzida pelas religiões reveladas e no alvorecer da globalização, o ritual representa a predominância do sagrado sobre o profano, o que alimenta a intimidade da esfera adivinha de uma forma única, ajudando a otimizar os esquemas de pensamento socioculturais. A África dos rituais é também o canto e a dança que quebram as fronteiras entre os povos, mantendo-se ao mesmo tempo como um escudo contra os problemas resistentes a uma terapia convencional. A esfera divinatória estabelece-se, assim, como um recurso místico-religioso vital, mesmo entre muçulmanos ou cristãos, com a ritualização que se insere no património cultural como o santuário de todo o otimismo. Preservar o sagrado étnico permite recarregar energias e augura uma resolução adequada das 'patologias da civilização', como o stress.
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